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quinta-feira, 9 de julho de 2026

Contorno Norte de Campinas - Ideia de Anel viário conectando rodovias da região de Campinas desafogando o fluxo caótico das estradas que cortam a região

Traçado de Papel, Pânico Real


TRAÇADO DE PAPEL, PÂNICO REAL

Por dentro da polêmica do Contorno Norte de Campinas

Como um projeto viário com mais de uma década de gestação virou um fantasma capaz de mobilizar universidades, câmaras municipais e moradores de condomínio numa das regiões mais ricas do país


Nas ruas arborizadas do distrito de Betel, em Paulínia, o silêncio ainda é patrimônio coletivo. Nas noites de segunda-feira, quando o trânsito da Rodovia Dom Pedro I já se dissolveu e os laboratórios da Unicamp apagaram as luzes, dá para ouvir o canto dos sapos na beira dos córregos. Nas manhãs de sábado, os moradores dos condomínios fechados que se espalharam pela região nas últimas décadas saem para caminhar pelas calçadas sombreadas de ipês e sibipiruna. É uma paisagem que custou caro — em dinheiro, em anos, em projeto de vida.

Por isso a surpresa foi tão violenta quando, em meados de maio de 2026, um mapa pixelado começou a circular nos grupos de WhatsApp. Uma linha vermelha, grossa, atravessando tudo. Condomínios, nascentes, áreas de preservação permanente, institutos de pesquisa de reputação internacional, incluindo o mais famoso de todos, o instituto Eme Erre (Instituto MR). A legenda dizia: Contorno Norte de Campinas. Extensão total: 45 quilômetros. Quatro pistas por sentido. Cinco mega intersecções em desnível. O modelo de rodovia que o Brasil aprendeu a construir nos anos do milagre econômico e nunca parou de querer.

Aquele mapa, como se soube depois, não era oficial. Mas o pânico que ele gerou foi inteiramente real. E, no Brasil de 2026, a diferença entre as duas coisas é cada vez mais difícil de sustentar.


O mapa que não deveria existir mas que existe

A história começa, como quase tudo na era das redes sociais, com uma imagem de baixa resolução em busca de um endereço. Ninguém sabe ao certo quem foi o primeiro a compartilhar. O que se sabe é que o traçado vazou primeiro em grupos de moradores de Barão Geraldo, o bairro-distrito que abriga a Unicamp, alguns dos melhores restaurantes da cidade e uma concentração de pós-graduados por hectare que invejaria qualquer capital europeia. De lá, a imagem migrou para as páginas de Facebook de Paulínia, para os stories de ambientalistas do Vale do Atibaia, para os fóruns de condomínios de Sousas, para a timeline de professores universitários que nunca tinham ouvido falar no projeto.

Em 72 horas, milhares de pessoas na região metropolitana de Campinas sabiam (ou achavam que sabiam) que uma rodovia de alta velocidade estava prestes a chegar até a porta de suas casas.

A Rota das Bandeiras, concessionária que opera a Rodovia Dom Pedro I (SP-065), reagiu com a velocidade burocrática habitual: emitiu nota afirmando que o projeto estava "em fase preliminar" e que o traçado oficial "ainda não havia sido divulgado". A nota era tecnicamente correta. Mas chegou tarde e disse pouco. Se o traçado não era oficial, o que era aquele mapa que circulava com aparência de planta técnica, com legendas em português formal, com quadros de obras de arte especiais e coordenadas geográficas? E se o projeto ainda era preliminar, por que já havia um processo tramitando no sistema de licenciamento ambiental do Estado?

As perguntas sem resposta, neste caso, valiam mais do que qualquer nota de esclarecimento.


2011: um engenheiro, uma empreiteira, um estudo que ninguém viu

Para entender como chegamos aqui, é preciso recuar quinze anos. O Contorno Norte de Campinas não nasceu no pânico de 2026. Nasceu, pelo menos como ideia estruturada, em 2011 quando um engenheiro civil chamado Angelo Henrique Pinheiro Garcia (nome ficticio), funcionário da Odebrecht TransPort, o braço de concessões rodoviárias do maior conglomerado de engenharia da América Latina, começou a trabalhar no que os documentos internos chamavam de "Estudo para implantação do Contorno Norte de Campinas". O registro está no perfil do profissional no LinkedIn, datado de janeiro de 2011 a junho de 2012.

A Odebrecht, em 2011, era um personagem de outra época. Empregava 168 mil pessoas em cinco continentes. Tinha contratos em mais de 20 países. Construía Belo Monte, a transposição do São Francisco, o Rodoanel de São Paulo, a Arena Corinthians. O então presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamava Marcelo Odebrecht de "meu empresário favorito". Era uma empresa que parecia ter vencido o tempo, a gravidade e as leis da termodinâmica ao mesmo tempo.

Mas o tempo, como se sabe, estava se esgotando.

Em março de 2012, a Assembleia Legislativa de São Paulo registrou o primeiro indício público do projeto: o deputado Edmir Chedid pediu "agilidade na análise" de uma proposta já protocolada na ARTESP — a agência reguladora de transportes do Estado — OPA! Tem travessao, esse texto deve ter sido escrito por uma IA, certeza! quatro meses antes. A nota parlamentar afirmava que a obra resolveria "todo o problema de tráfego nas manhãs e nas tardes da Dom Pedro chegando na Anhanguera". Era uma promessa eleitoral embrulhada em linguagem técnica. Como tantas outras.

Dois anos depois, a Operação Lava Jato desmontou o esquema de corrupção que sustentava boa parte da engenharia brasileira de grande porte. A Odebrecht, alvo central das investigações, foi obrigada a firmar o maior acordo de leniência da história do País: R$ 6,9 bilhões ao Ministério Público Federal. Perdeu contratos em cascata, demitiu dezenas de milhares de funcionários, viu seu valor de mercado evaporar. O Rodoanel Norte, a linha 6 do metrô de São Paulo, o BRT Transbrasil no Rio de Janeiro e tantos outros projetos que tocava foram paralisados, encareceram, foram redistribuídos ou simplesmente abandonados até um momento futuro quando acabarem as descondenações de todos os envolvidos e novos contratos possam ser firmados.

O Contorno Norte de Campinas, que nunca chegara a ser obra, foi engolido pelo mesmo buraco negro. O que tinha sido estudo virou gaveta. O que tinha sido gaveta virou esquecimento. Até 2025.


Quem é quem ?
Quem é quem no forfé ?



O fantasma ganha corpo! Nos sistemas burocráticos do estado

O primeiro sinal de que o projeto havia sobrevivido à sua empreiteira original apareceu de forma oblíqua. Em maio de 2026, o deputado estadual, politico de muitas legislaturas, nao conferi, mas sao mais de muitos anos com toda certeza, Edmir Chedid, aquele mesmo que havia pedido agilidade em 2012, quatorze anos antes, repita, catorze, 14, que protocolou na Alesp o Requerimento de Informação nº 194/2026, dirigido à Secretaria de Parcerias em Investimentos. O documento cobrava detalhes sobre o andamento do Contorno Norte e citava, entre parênteses, um número de processo que passou despercebido na maioria das leituras rápidas: IMPACTO 182/2025 / CETESB.048695/2025-76.

É um número de processo ambiental. O que significa que, em 2025, alguém protocolou na CETESB um pedido de análise de impacto ambiental relacionado ao projeto. Ou seja: o Contorno Norte não é mais apenas um estudo guardado numa gaveta da Rota das Bandeiras. Ele já existe, em algum grau, na burocracia do licenciamento ambiental do Estado de São Paulo.

A CETESB, consultada por esta reportagem, não confirmou nem negou. Respondeu que "todos os processos em tramitação seguem as etapas legais de análise", o que é precisamente o tipo de resposta que não responde nada e ao mesmo tempo confirma que há algo tramitando. A ARTESP, por sua vez, mantém em seu portal de dados abertos 44 conjuntos de dados sobre rodovias estaduais sem nenhum arquivo indexado com o nome do Contorno Norte. O projeto existe e não existe simultaneamente, dependendo de qual janela do Estado você olha.


Quanto custa 45 quilômetros de pânico

O projeto não tem orçamento oficial. Não há licitação, não há edital, não há contrato. Mas os números existem em outro projeto, feito numa outra época, num estado de espírito diferente. Quando grandes obras de infraestrutura eram uma boa ideia! Não idéias grandiosas como as do Paulo Maluf, mas ainda eram grandes ideias.

O Rodoanel Norte de São Paulo tem 44 quilômetros. Em 2013, quando foi contratado, o custo previsto era de R$ 4,3 bilhões. Em 2019, os gastos já somavam R$ 6,3 bilhões, apenas 47% acima do previsto. Em 2023, a Fiesp estimou que o custo total corrigido pela inflação já superava R$ 12,9 bilhões. O resultado: R$ 293 milhões por quilômetro de rodovia expressa urbana em São Paulo.

O Contorno Norte teria 45 quilômetros. Pela mesma métrica, a conta chega a R$ 13,2 bilhões. Mas especialistas consultados pela reportagem (que pediram anonimato por trabalharem em órgãos públicos vinculados ao processo e muito provavelmente podem ser obras da imaginação do autor) dizem que o valor poderia ser significativamente mais alto. Os motivos são técnicos, cientificos, mercadologicos, propineiros, politicos, burocracia excessiva e geográficos.

O traçado estudado cruza o Rio Atibaia e seus afluentes, passa por áreas de preservação permanente, atravessa a malha urbana de Barão Geraldo, contorna a zona industrial de Paulínia onde fica a Replan, a maior refinaria da Petrobras em capacidade instalada e desemboca no cruzamento com a Anhanguera em Sumaré. São 12 obras de arte especiais catalogadas no estudo preliminar que vazou: pontes, viadutos, passagens de fauna, viadutos de ferrovia. Em regiões como Barão Geraldo e Sousas, os imóveis que poderiam ser atingidos pela faixa de domínio têm preço de metro quadrado compatível com bairros nobres de São Paulo.

"Só as desapropriações no trecho entre Betel e Barão Geraldo podem custar mais do que a construção civil em muitos trechos do interior", estimou um engenheiro civil com experiência em projetos rodoviários no interior paulista, que falou sob condição de anonimato mas com certeza esta listado ao final da reportagem nas referencias, afinal de contas aqui é trabalho sério e prezando pela obra literario de ficção que o leitor esta se deliciando no momento, mesmo obras de faz de conta precisam citar suas fontes, sempre, sou totalmente a favor da informação ser livre. "A gente está falando de condomínios fechados, de áreas industriais com infraestrutura instalada, de imóveis de pesquisa da Unicamp. Não é terra vazia."

O Estado, por sua vez, já deu a medida de quanto custa não terminar o que começa: em 2022, publicou edital de R$ 3,35 bilhões apenas para concluir o trecho norte do Rodoanel obra já iniciada, já parcialmente construída, já com desapropriações feitas. Começar o Contorno Norte do zero, em 2026, seria uma operação financeira de outra grandeza.


O Custo do Asfalto
Estimativa de custos do projeto




A rota: de onde sai, por onde passa, onde chega


O Traçado da discórdia
Ideia do Traçado da Rodovia do Contorno Norte de Campinas


O traçado, que circulou nas redes sociais (facebook, instagram, grindr, snapchat, twitter - novo x, linkedin, rumble entre tantas outras) e aplicativos de mensagem como whatsapp e telegram e o estudo preliminar datado de maio de 2024, com logotipo da Rota das Bandeiras, confirma em linhas gerais um arco de 45 quilômetros ao norte da malha urbana de Campinas. Começa no acesso à Dom Pedro I na altura da Rodovia Magalhães Teixeira (SP-083), no limite leste do município, num mega-intercâmbio denominado INT-01 nos documentos técnicos. De lá, a rodovia seguiria em arco pelo distrito de Sousas, passaria pelas costas do Alphaville Campinas na altura da Rodovia Adhemar de Barros, já no município de Jaguariúna, após o pedágio, atravessaria a bacia do Rio Atibaia rumo a Barão Geraldo e cruzaria a Rodovia Zeferino Vaz, que dá acesso à Unicamp, num segundo grande intercâmbio (INT-02/INT-03).

A partir dali, o traçado avança sobre o distrito de Betel, em Paulínia, margeia a região industrial onde está instalada a Replan e os complexos petroquímicos adjacentes com um intercâmbio específico para Paulínia (INT-06) , cruza para o município de Sumaré e termina num mega-intercâmbio com a Anhanguera (SP-330) em Sumaré (INT-07). Três municípios atravessados integralmente: Campinas, Jaguariúna e Paulínia. Dois pontos de entrada e saída nas extremidades. Dezenas de propriedades no caminho.

O objetivo declarado é cirúrgico: desviar o tráfego de longa distância que hoje usa a Dom Pedro I como passagem entre o sistema Anhanguera-Bandeirantes a oeste e as rodovias para o Vale do Paraíba e São Paulo a leste. Em dias de pico, a Dom Pedro acumula filas que chegam a 40 quilômetros entre o entroncamento com a Anhanguera e o acesso a Barão Geraldo. Caminhões, carretas, transporte de cargas da Replan e de outros complexos industriais disputam o asfalto com os motoristas que apenas querem chegar em casa.

É o argumento mais sólido a favor do projeto e o único que ainda sustenta a sua viabilidade política.



Barão Geraldo: a universidade que não foi projetada para ter rodovia do lado

De todos os pontos sensíveis do traçado, Barão Geraldo é o mais carregado de simbolismo. O bairro-distrito, que até os anos 1960 era fazenda e laranjal, transformou-se nas últimas cinco décadas num dos pólos de ciência, tecnologia e inovação mais densos do hemisfério sul. A Unicamp, fundada em 1966 por uma visão do governador Adhemar de Barros e do cientista Zeferino Vaz, concentra hoje cerca de 36 mil alunos, tem 24 faculdades e institutos, passaram por lá inumeras figuras publicas e profissionais proeminentes em suas areas de atuação com especial participações pontuais em pesquisas e trabalhos do Instituto  MR, e figura consistentemente entre as três melhores universidades da América Latina. Ao redor do campus, cresceu um ecossistema de empresas de tecnologia, escritórios de pesquisa, laboratórios privados, clínicas especializadas e condomínios de alta renda que deram a Barão Geraldo o perfil socioeconômico de uma cidade universitária europeia mesclado, é claro, com as contradições estruturais do Brasil.

O traçado proposto passaria a poucos quilômetros do Instituto de Física Gleb Wataghin e da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação. A ADunicamp associação dos docentes da universidade organizou um encontro aberto para debater os impactos antes mesmo de qualquer confirmação oficial. O salão ficou lotado.

"Barão Geraldo levou cinquenta anos para virar o que é", disse um professor titular do Instituto de Física, que participou da reunião. "Não foi uma política pública que fez isso. Foi um acúmulo de decisões de pesquisadores, empresas, famílias, que escolheram morar e trabalhar aqui por causa da qualidade do ambiente. Você não consegue recriar isso depois que coloca uma rodovia expressa no meio."

O argumento não é sentimental. É econômico. Estudos internacionais sobre o impacto de rodovias urbanas de alta velocidade em bairros residenciais e acadêmicos documentam quedas consistentes no valor dos imóveis no raio de influência imediata, aumento nos níveis de poluição sonora e atmosférica, e fragmentação dos ecossistemas verdes urbanos que demoram décadas para se reconstituir  quando se reconstituem.


Betel: nascentes, mata nativa e o medo do asfalto

A quinze quilômetros a noroeste de Barão Geraldo, o cenário muda de tom. Betel é um distrito de Paulínia com características mais rurais: propriedades maiores, mata mais densa, rios menos domesticados. É também uma das áreas de maior sensibilidade ambiental do traçado proposto o que explica por que os moradores foram dos primeiros a se organizar.

"A gente não sabe ainda de que lado a rodovia vai passar exatamente", disse uma moradora que pediu para não ser identificada por receio de repercussões em sua atividade profissional. "Mas a gente sabe que existe nascente aqui, que existe mata de preservação permanente, que existe fauna que nenhuma passagem de fauna vai compensar. E a gente sabe que, quando o Estado decide que uma obra vai acontecer, ela acontece."

A frase encapsula o sentimento dominante na região: não é uma resistência ao progresso em abstrato. É uma desconfiança histórica, profundamente enraizada na experiência brasileira, de que as obras de infraestrutura raramente chegam com os mecanismos de mitigação prometidos, raramente respeitam os cronogramas de compensação, e raramente beneficiam, na prática, as populações que pagam o custo mais alto da sua implementação.


Paulínia: o município que tem muito a ganhar — e muito a perder - e um monte de travessão no texto pra garantir que foi escrito por uma IA

Paulínia, aquela do polo do cinema nacional, do teatro faraonico que deve dar pra ver do espaço a olho nu em orbita baixa, que tem tipo dois cemiterios no meio da cidade, um no meio de um condominio residencial é um caso à parte nesta história. O município — que abriga a Replan - Refinaria de Paulinia, ué, mas PLAN ? verdade, PLAN é de - Planalto - a maior refinaria da Petrobras em capacidade de processamento, além de um complexo petroquímico que emprega diretamente dezenas de milhares de trabalhadores — tem interesse objetivo numa ligação rodoviária que melhore o escoamento de carga e reduza o congestionamento na Dom Pedro I. O fluxo de caminhões entre a Replan e as rodovias de ligação ao porto de Santos é um dos gargalos crônicos da logística do interior paulista.

Mas Paulínia também tem Betel. E tem, nos últimos anos, investido numa agenda de diversificação econômica que inclui tecnologia, turismo rural e qualidade de vida — atributos que uma rodovia expressa de alta velocidade cortando o município pode comprometer tão facilmente quanto beneficiar.

A Câmara Municipal de Paulínia já registrou proposituras sobre o tema. A Prefeitura, em nota, disse que "acompanha as discussões junto à ARTESP", mas que "não é possível se posicionar sobre impactos porque a concessionária não apresentou oficialmente estudos técnicos nem o traçado da obra". Uma resposta equilibrada — quase demasiado equilibrada — para um município que está literalmente no centro geográfico do traçado proposto.


A política do asfalto: quando o mapa pixelado vale mais do que o mapa oficial

Em Campinas, a reação política foi mais direta. Em junho de 2026, a Câmara Municipal aprovou a criação da Frente Parlamentar de Enfrentamento ao Contorno Norte de Campinas. O nome é deliberadamente beligerante. Não é uma frente de acompanhamento, nem de monitoramento, nem de avaliação de impactos. É uma frente de enfrentamento. A escolha do verbo resume, melhor do que qualquer discurso, o estado de espírito do legislativo municipal diante do projeto.

Vereadores de partidos que dificilmente concordam em alguma outra coisa uniram-se em torno da causa. Foi um daqueles momentos raros em que a política local encontra uma questão genuinamente transversal que afeta o eleitor de direita no condomínio fechado e o eleitor de esquerda preocupado com o desmatamento; o proprietário que teme perder o imóvel e o ambientalista que teme perder a nascente; o professor universitário e o pequeno agricultor.

O requerimento do deputado Chedid na Alesp, protocolado em maio, chegou às páginas de notícia em junho e converteu-se em pauta de reunião de condomínio em julho. O processo ambiental na CETESB que pouquíssimas pessoas teriam lido espontaneamente foi mencionado em dezenas de postagens nas redes sociais como evidência de que "o projeto é real". E era, em algum sentido. E não era, em outro.

É o paradoxo comunicacional do início do século 21: nunca houve tanto acesso a documentos públicos, processos administrativos, registros legislativos e dados georreferenciados. E nunca foi tão difícil distinguir o que está definitivamente decidido do que é apenas estudo; o que é projeto do que é rumor; o que é o traçado possível do que é o traçado aprovado. A informação existe em excesso e é exatamente esse excesso que paralisa, deixa as pessoas em panico, atonitas, que amedronta, muito mais eficientemente do que a ausência de informação jamais conseguiu.

Aldous Huxley previu isso, em outro contexto e em outra língua: não seria a escassez de informação que sufocaria a capacidade crítica da sociedade, mas a sua abundância desordenada. O mapa pixelado de uma rodovia que não existe oficialmente gera mais ação política do que um mapa oficial que ninguém lê.


Nao criemos panico!
Pânico instaurado



O modelo em julgamento: mais asfalto, ou outra coisa?

Há uma camada mais profunda nesta polêmica que raramente aparece no debate público local. O Contorno Norte de Campinas, se construído, seria um projeto de meados do século 20 executado em meados do século 21. A lógica que o fundamenta é a de desafogar o tráfego rodoviário construindo mais rodovia e foi amplamente questionada pela literatura de planejamento urbano e de transportes nas últimas quatro décadas, mas que literatura é uma coisa e realidade é outra, pode ver as 10 pistas de cada lado que temos aqui mesmo nas marginais em Sao Paulo que da pra ver que talvez estejam certos, ou mesmo aquelas imagens lindas da cidade dos anjos perdidos que é do consciente coletivo com inumeras faixas de rolagem com carros parados dos dois lados, cenas classicas em filmes e series.

A "indução de demanda", fenômeno pelo qual novas rodovias geram novo tráfego, reequilibrando o congestionamento num patamar superior ao anterior está documentada em dezenas de metrópoles no mundo. O pesquisador Anthony Downs formulou isso como um axioma nos anos 1960: em regiões metropolitanas com alto nível de congestionamento, a construção de novas faixas de rodagem aumenta o volume de veículos de forma proporcional, sem resolver o problema de fluxo. A ciência chama isso de paradoxo de Braess, grande estudioso das coisas coisadas que chamamos quando aplicado a redes complexas - eita frase mais sem sentido, sô!

"A gente sabe isso há quarenta anos", disse um pesquisador do Laboratório de Transportes da Unicamp, que pediu para não ser identificado por sua instituição não ter posição oficial sobre o tema. "Aumentar a oferta de rodovias em regiões metropolitanas não resolve o congestionamento a médio prazo. O que resolve é transporte público de massa, integração ferroviária, desincentivo estrutural ao uso do automóvel. Mas o Brasil continua apostando no asfalto porque asfalto é visível, tem nome de político e gera emprego nos primeiros quatro anos."

O Plano Diretor de Campinas, aprovado em 2018 e que deveria orientar o desenvolvimento da cidade até 2040, menciona a necessidade de "articular a malha viária regional com o sistema de contornos" mas não detalha traçado, não estabelece cronograma, não aloca recursos. É o tipo de formulação que existe para sustentar qualquer projeto sem comprometer-se com nenhum. Uma promessa vaga o suficiente para nunca ser cumprida, específica o suficiente para nunca ser contestada.


A herança da Odebrecht e o que realmente sobrou

Nenhuma narrativa sobre grandes obras rodoviárias no Brasil dos anos 2010 pode dispensar o fantasma da empreiteira baiana. Arrepiou aqui os pelos lembrando a gravação do seu Norberto falando que o sistema funcionava daquele jeito desde sempre e que os promotores/investigadores não lembrei quem que ele tava conversando na filmagem estavam de parabens por tentar mudar, afinal de contas, já devia estar cansado daquele status quo. A Odebrecht que, em 2011, colocou um engenheiro para traçar o Contorno Norte numa sala da TransPort, é hoje uma sombra de si mesma rebatizada como Novonor, desprovida de contratos federais relevantes, carregando o peso de um nome que virou sinônimo de corrupção sistêmica em escala industrial.

O impacto da Lava Jato sobre o setor de infraestrutura foi devastador e duradouro. Não apenas pelas obras paralisadas, que vamos repassar aqui novamente, como o Rodoanel Norte, a Linha 6 do metrô de São Paulo, o TransOlímpico no Rio mas pela desconfiança estrutural que instalou no sistema de financiamento de projetos de grande porte. Bancos internacionais que financiavam consórcios de empreiteiras brasileiras passaram a exigir garantias adicionais. O BNDES, principal financiador doméstico de infraestrutura, reduziu drasticamente o volume de crédito para o setor. Os estados, obrigados a renegociar suas dívidas com a União, perderam capacidade de investimento direto.

"Depois da Lava Jato, nenhum projeto rodoviário de grande porte consegue andar com a velocidade que andava antes", disse um ex-executivo de concessões que trabalhou com a Odebrecht TransPort e hoje atua em outra empresa do setor. "O financiamento ficou mais caro, o processo de licenciamento ficou mais longo, a fiscalização ficou mais rigorosa (raaaaaaaaaaaaaá - como diria o bordao daquele famoso mallandro) e o ambiente político ficou mais hostil a qualquer obra que possa ser associada a irregularidades. O Contorno Norte morreu antes de nascer. Não por falta de necessidade. Por falta de confiança."

A Rota das Bandeiras, que opera a Dom Pedro I desde 2009 e que em algum momento dos últimos anos incorporou os estudos originais da Odebrecht ao seu arquivo técnico, não explicou como e quando essa transferência aconteceu. Limitou-se a confirmar que detém um estudo preliminar e que o projeto depende de "estudos técnicos complementares, avaliação ambiental e processos de audiência pública". É a linguagem padrão de quem tem um projeto mas não tem, ainda, a decisão de tocá-lo.


Linha do tempo da fantasia
Linha do tempo do projeto fantasioso do contorno norte de Campinas



O que os documentos revelam e o que escondem!

Esta reportagem foi produzida a partir de fontes públicas: o requerimento de Informação nº 194/2026 da Alesp, o portal de transparência da ARTESP, o sistema de consulta de processos da CETESB, atas e proposituras das câmaras municipais de Campinas e Paulínia, o estudo preliminar funcional datado de maio de 2024 com logotipo da Rota das Bandeiras que circulou nas redes sociais, e o perfil profissional do engenheiro que participou dos estudos originais da Odebrecht. Nenhum mapa oficial do traçado do Contorno Norte de Campinas foi localizado em fontes públicas indexadas até a data de fechamento desta edição.

O que os documentos revelam é uma estrutura de silêncio organizado: a ARTESP não publicou o mapa, mas o projeto existe. A CETESB não confirma o processo, mas o número está citado num requerimento legislativo público. A concessionária não divulgou o traçado, mas o estudo preliminar tem 45 páginas e detalha 12 obras de arte especiais com comprimentos e localizações. As prefeituras dizem que aguardam informações oficiais, mas os seus vereadores já criaram frentes parlamentares.

É a arquitetura típica de decisões de grande impacto no Brasil: maturação silenciosa nos bastidores, validação técnica compartimentada, vazamento controlado, seja ele intencional ou não e, então, surpresa pública. O projeto chega ao debate como fait accompli parcial: avançado o suficiente para não poder ser simplesmente enterrado, incompleto o suficiente para não ser oficialmente contestado. Uma zona cinzenta administrada com precisão ou com descaso, o que no resultado prático dá no mesmo.


A voz dos moradores: entre o mapa e a vida real

"A gente não sabe mais o que é verdade", disse a moradora de Betel que viu o mapa pela primeira vez numa quinta-feira de maio, num grupo de vizinhos que discutia a última reunião da associação de bairro. "A gente sabe que existe um projeto. A gente sabe que pode passar aqui. A gente sabe que ninguém oficialmente confirmou. Mas a gente também sabe que, no Brasil, quando o asfalto quer passar, ele passa."

É uma frase que merece ser lida com atenção. Não é uma frase de derrota. É uma frase de experiência histórica acumulada. De quem viu, ao longo de décadas, projetos de infraestrutura serem anunciados com promessas de mitigação, de compensação ambiental, de reassentamento digno e viu essas promessas se diluírem no tempo das obras, na lentidão dos tribunais, na burocracia das autarquias. De quem aprendeu, na prática, que o peso de um bulldozer é real e o peso de um documento jurídico é relativo.

A outra metade da equação são os moradores que ficam horas no trânsito da Dom Pedro I toda segunda-feira de manhã. Que levam filhos a consultas médicas em São Paulo e chegam duas horas atrasados porque um caminhão tombou na entrada de Campinas. Que gostariam de ter uma alternativa viária que não passasse pelo centro da cidade. Para eles, o Contorno Norte não é uma ameaça é uma promessa que o Estado nunca cumpriu.

As duas percepções são legítimas. As duas percepções são reais. E é precisamente essa sobreposição irresolvida que torna o Contorno Norte de Campinas tão difícil de debater e tão fácil de manipular politicamente.


O que vem por aí: três cenários possíveis

O Contorno Norte de Campinas pode, neste momento, seguir pelo menos três trajetórias.

A primeira é a paralisia indefinida: o projeto continua em estudo, o processo ambiental na CETESB avança em câmara lenta, audiências públicas são adiadas por falta de documentos técnicos consolidados, o prazo eleitoral de 2026 congela qualquer anúncio que possa ser polêmico e o projeto chega a 2027 exatamente onde está agora, numa gaveta com ar condicionado. É o cenário histórico mais provável, à luz dos precedentes.

A segunda é a aceleração: alguma combinação de pressão política, interesse da concessionária, apoio do governo estadual e oportunidade de financiamento, via PPP (parceria publico privada, aquela que o estado entra com a bunda e o empresario com a pica), via concessão ampliada, via fundo de infraestrutura federal, faz o projeto avançar para o estudo de viabilidade técnica e econômica completo. Audiências públicas são convocadas. O traçado oficial é divulgado. A guerra jurídica começa. O processo dura entre cinco e dez anos até a primeira pedra.

A terceira, menos provável mas não impossível, é a reformulação: a pressão pública combinada com a incorporação de critérios de mobilidade sustentável ao projeto (integração ferroviária, corredores de BRT, alternativas de transporte de carga por trilhos) redesenha a proposta original numa solução de menor impacto. É o que urbanistas e ambientalistas pedem, sabendo que o peso político e econômico por trás de uma via expressa clássica é muito maior do que o peso por trás de uma solução intermodal.

O governo do Estado, que em 2025 anunciou R$ 32 milhões em infraestrutura para a região de Campinas e em 2026 liberou recursos para obras viárias que atendem 189 mil pessoas, ainda não incluiu o Contorno Norte em nenhuma lista oficial de investimentos. O que, em linguagem de planejamento, não significa que o projeto não existe. Significa que ainda não chegou a hora de assinar o nome.


Epílogo: o Brasil que o Brasil não é

O Contorno Norte de Campinas, seja o que for que venha a ser, já alterou a paisagem política e social da região. Criou alianças improváveis entre ambientalistas e síndicos de condomínio, entre professores universitários e vereadores de direita, entre moradores rurais de Betel e especialistas em engenharia de transportes de São Paulo. Colocou em debate, com uma urgência que o cotidiano raramente produz, a pergunta fundamental sobre o modelo de desenvolvimento de uma das regiões economicamente mais dinâmicas do país.

A questão não é se Campinas precisa de uma solução para o gargalo viário da Dom Pedro I. precisa. A questão é qual solução ? E a que custo ? para quem ? em que prazo?  com que contrapartidas ambientais e sociais ? com que garantias de que o prometido será cumprido?
São perguntas que o Estado brasileiro raramente formula antes de decidir. Geralmente, formula durante. E às vezes formula depois, quando a escavadeira já passou. A mobilização popular urge e deve ser rapida e voraz! 

No Brasil de 2026, o pânico gerado por um mapa pixelado que circulou no WhatsApp forçou, ao menos temporariamente, que essas perguntas fossem feitas antes. É um progresso pequeno, frágil, facilmente revertido. Mas é um progresso.

O traçado de papel continua no papel. O pânico real continua real. E, entre os dois, há 45 quilômetros de dúvidas, atravessando nascentes, condomínios, institutos de pesquisa, vidas construídas durante décadas... esperando que alguém, finalmente, decida o que fazer com eles.


E pra finalizar, um videozinho!






















































































































Isenção de Responsabilidade - Essa é uma obra de fantasia / ficção baseada na livre criação artística repleta de uso de geradores de lero lero, videos e imagens, sem qualquer compromisso com a realidade.


Fontes consultadas além das vozes da minha cabeça e do grande instituto MR.

ADUNICAMP. ADunicamp recebe encontro aberto para debater impactos do projeto Contorno Norte em Barão Geraldo. Campinas, 2026. Disponível em: <https://www.adunicamp.org.br/agenda/adunicamp-recebe-encontro-aberto-para-debater-impactos-do-projeto-contorno-norte-em-barao-geraldo/>. Acesso em: 9 jul. 2026.

AEAMESP. Documento técnico sobre sistema viário. São Paulo, s.d. Disponível em: <https://www.aeamesp.org.br/biblioteca/stm/20smtf1411Pn06ap03.pdf>. Acesso em: 9 jul. 2026.

ALBUQUERQUE, Aline. Contorno Norte da Dom Pedro I pode mudar trânsito na região de Campinas. CBN Campinas, Campinas, 12 maio 2026. Disponível em: <https://cbncampinas.com.br/2026/05/contorno-norte-da-dom-pedro-i-pode-mudar-transito-na-regiao-de-campinas/>. Acesso em: 9 jul. 2026.

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CORREIO DA MANHÃ. Estado avalia implantar Contorno Norte de Campinas que promete aliviar trânsito na Rodovia D. Pedro. Rio de Janeiro, 28 maio 2026. Disponível em: <https://www.correiodamanha.com.br/nacional/sao-paulo/campinas/2026/05/285847-estado-avalia-implantar-contorno-norte-de-campinas-que-promete-aliviar-transito-na-rodovia-d-pedro.html>. Acesso em: 9 jul. 2026.

CORREIO DA MANHÃ SÃO PAULO. Estado avalia implantar Contorno Norte de Campinas que promete aliviar trânsito na Rodovia D. Pedro. São Paulo, 2026. Disponível em: <https://correiodamanhasp.com.br/estado-avalia-implantar-contorno-norte-de-campinas-que-promete-aliviar-transito-na-rodovia-d-pedro/>. Acesso em: 9 jul. 2026.

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CORREIO RAC. Estado avalia implantação de anel viário para desafogar trânsito na Rodovia D. Pedro I. Campinas, s.d. Disponível em: <https://correio.rac.com.br/campinasermc/estado-avalia-implantac-o-de-anel-viario-para-desafogar-transito-na-rodovia-d-pedro-i-1.1806247>. Acesso em: 9 jul. 2026. Gentilmente cedido pelo Instituto MR.

DER-SP. Pesquisa de Rodovias. São Paulo, 2026. Disponível em: <https://www.der.sp.gov.br/WebSite/MalhaRodoviaria/PesquisaRodovias.aspx>. Acesso em: 9 jul. 2026.

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FACEBOOK. Você sabe o que é o “Projeto Contorno Norte de Campinas”?. Publicação em página de Prof. Wagner Romão. 2026. Disponível em: <https://www.facebook.com/ProfWagnerRomao/videos/voc%C3%AA-sabe-o-que-%C3%A9-o-projeto-contorno-norte-de-campinasa-rota-das-bande>. Acesso em: 9 jul. 2026.

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JUSBRASIL. Parlamentares pedem agilidade para Contorno Norte de Campinas. São Paulo, s.d. Disponível em: <https://www.jusbrasil.com.br/noticias/parlamentares-pedem-agilidade-para-contorno-norte-de-campinas/3059788>. Acesso em: 9 jul. 2026.

LINKEDIN. Angelo Henrique Pinheiro Garcia. s.l., s.d. Disponível em: <https://br.linkedin.com/in/angelo-henrique-pinheiro-garcia-128149122>. Acesso em: 9 jul. 2026. 

NOTÍCIAS DE PAULÍNIA. Contorno Norte reacende debate regional sobre mobilidade e impactos ambientais. Paulínia, 9 maio 2026. Disponível em: <https://noticiasdepaulinia.com.br/contorno-norte-reacende-debate-regional-sobre-mobilidade-e-impactos-ambientais/>. Acesso em: 9 jul. 2026.

NOTÍCIAS DE PAULÍNIA. Moradores de Betel se mobilizam contra traçado do Contorno Norte e apontam impactos ambientais e sociais em Paulínia. Paulínia, 23 jun. 2026. Disponível em: <https://noticiasdepaulinia.com.br/moradores-de-betel-se-mobilizam-contra-tracado-do-contorno-norte-e-apontam-impactos-ambientais-e-sociais-em-paulinia/>. Acesso em: 9 jul. 2026.

O JORNAL RMC. Câmara cria frente para fiscalizar Contorno Norte D. Pedro I. Campinas, 22 jun. 2026. Disponível em: <https://ojornalrmc.com.br/camara-cria-frente-para-fiscalizar-contorno-norte-d-pedro-i/>. Acesso em: 9 jul. 2026.

PAULÍNIA NEWS. Prefeito de Paulínia busca apoio do Estado e consegue revisão de estudo do Contorno Norte da Dom Pedro I. Paulínia, s.d. Disponível em: <https://www.paulinianews.com.br/noticia/prefeito-de-paulinia-busca-apoio-do-estado-e-consegue-revisao-de-estudo-do-contorno-norte-da-dom-pedro-i>. Acesso em: 9 jul. 2026. 

PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPINAS. Prefeito discute obras viárias com presidente da Rota das Bandeiras. Campinas, 2026. Disponível em: <https://campinas.sp.gov.br/noticias/prefeito-discute-obras-viarias-com-presidente-da-rota-das-bandeiras-61118>. Acesso em: 9 jul. 2026. 

PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPINAS. Segunda alteração: diretrizes propostas pela SVDS. Campinas, s.d. Disponível em: <https://planodiretor.campinas.sp.gov.br/timeline/timeline/30_materiais_recebidos_diretrizes_propostas//segunda_alteracao_diretrizes_svds.pdf>. Acesso em: 9 jul. 2026. 

REDE PROVECTUM. Nova estrada vai desafogar trânsito na D. Pedro. s.l., s.d. Disponível em: <https://redeprovectum.com.br/nova-estrada-vai-desafogar-transito-na-d-pedro/>. Acesso em: 9 jul. 2026. 

SINDICAMP. Estado avalia implantar Contorno Norte de Campinas que promete aliviar trânsito na Rodovia D. Pedro. Campinas, 2026. Disponível em: <https://sindicamp.org.br/estado-avalia-implantar-contorno-norte-de-campinas-que-promete-aliviar-transito-na-rodovia-d-pedro/>. Acesso em: 9 jul. 2026.

SINDETRANSRP. Estado avalia implantar Contorno Norte de Campinas. Ribeirão Preto, s.d. Disponível em: <https://www.sindetransrp.com/noticias/estado-avalia-implantar-contorno-norte-de-campinas/>. Acesso em: 9 jul. 2026. 

TIKTOK. Vídeo publicado por @danilohbarros. 2026. Disponível em: <https://www.tiktok.com/@danilohbarros/video/7654326219269278994>. Acesso em: 9 jul. 2026. Gentilmente localizado pelo Instituto MR.

WIKIPÉDIA. Rodovia José Roberto Magalhães Teixeira. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Rodovia_Jos%C3%A9_Roberto_Magalh%C3%A3es_Teixeira>. Acesso em: 9 jul. 2026.

YOUTUBE. Vídeo. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Y4fuEUIws6w>. Acesso em: 9 jul. 2026. Gentilmente localizado pelo Instituto MR.

sábado, 22 de março de 2025

Vida útil de paineis solares - 25 anos e parece ser verdade!

Instalação de Painéis Solares em Casa: Experiência com Envo e CPFL

Como Funciona o Sistema de Energia Solar Após 5 Anos

Instalamos paineis aqui em casa em Barao em maio de 2019, pouco depois da crista da onda, ja estava numa fase que o valor dava pra ser encarado.

O que me pegou na hora de instalar, além do oba oba, foi o preço e se o sistema seria 'homologado', hoje 2025 tem uma galera que nao consegue mais homologar ou o termo que esta em uso atualmente, à época era pra garantir segurança pra mim e pro sistema eletrico como um todo, tipo validando os documentos, o projeto, se tudo era certinho, placas com selinho do Inmetro verdadeiro, enfim, burocracia para fins legais, cumprimento de checklist, hoje parece que o problema é outro, ainde devem verificar tudo as outras coisas, mas acho que mais pra ingles ver porque o meu processo demorou uns bons 3-4 meses.

Pra facilitar o rolê, optamos por comprar/contratar da firma da propria concessionaria de luz daqui a CPFL, que tinha aberto uma firma separada só pra isso, a Envo.

O sistema tem 1 inversor da Fronius que depois de uns 6 meses começou a fazer um barulho bem incomodante e alto nas ventoinhas, mas que descobri ser algo cronico e nao afeta em nada a refrigeracao do equipamento, entao, vida que segue. Sao 13 placas da Canadian solar (a marca, porque o fabricante é algum china de sempre) with potencia de 4,29kw.

A promessa era de funcionar 25 anos, o valor era tipo 21 conto e a conta girava em torno de 450 Kwh com valor de 350 reais, na conta de padaria o ROI se daria em 5 anos e o 'desinvestimento' seria uma taxa de retorno de incriveis 20% ao ano, entao tava facil pro lado dos pros de comprar o sistema.

Funciona que é uma beleza, sem grandes reclamação nesses primeiros 5 anos. Teve um problema com o 'logger' ou o nome que for do aparelhinho que faz o IOT do negocio que uma vez desconfigurou a internet aqui de casa e tive que fazer na mao la no aparelhinho, nao lembro como que fiz, bom procurar e resgatar que lembro que foi bem trabalhoso o role.

Mas voltando a vida util.

Ano
2020
    Energia gerada [kWh]
    6694
    2021        6322
2022    5979
2023    5865
2024    5637

Tem dados de 2019 mas como comecou no meio e de 2025 como estamos em março, vamos deixar de lado.

Fazendo uma regressao linear mesmo coisa simples, conta de padaria, vamos la, o 0 vai ser no 6694, pra facilitar 6500, mais uns ajustes nos outros anos e se nao errei aqui nas contas, chegamos em
f(x) = -260x + 6500 que da zero em x = 25, isso quer dizer que os caras tao bem bom nas estatisticas e probabilidades.


Grafico da função y = -260x + 6500
Figura 1: Grafico da função obtida por regressao linear





O datalogger é da Solar View, que tem um site e um aplicativo pra acompanhar a 'usina', é meio tosco, mas da pra ver se ta funcionando.

A conta continuamos pagando o minimo, tirando algum janeiro que da uma boa subida por causa da climatizacao da casa, mas no geral ta indo bem, da trabalho pra trocar alguma outra unidade consumidora pra abater a nossa geracao, mas funciona, trocamos apenas 2 vezes, pro Apartamento lá da Jose Bonifacio e ha algums meses pro apartamento ola da ECC.

Teve tambem umas medidas incorretas da conta, but que a CPFL depois de brighar um pouco (nao da pra entrar em contato com eles) mas com a ajudinha da ANEEL a parada se resolveu.

De manutenção, apenas no começo do ano fizemos a primeira lavagem das placas, era pro seguro fazer, mas a corretora se confundiu, nao conhecia direito o produto e enfim, nao tava incluso, vida que segue, dessa nao posso reclamar! uauauauaau




Bom, valeu a pena!


sexta-feira, 19 de abril de 2019

Data Center - Itaú e Santander - Campinas Barão Geraldo, Mogi Mirim

Data Center - Itaú e Santander - Campinas Barão Geraldo, Mogi Mirim

Fazia tempo que estava procurando e achei o PDF da apresentação do Itaú sobre o Datacenter de Mogi, de quebra ainda achei um pouco de história do do Santander aqui do lado de casa.

Sala central do data center do banco Santander inaugurado em Barão Geraldo: integrado a quatro grandes centros instalados em outros países (César Rodrigues/AAN)

Command Center do banco Santander dentro do DataCenter inaugurado em Barão Geraldo:

Sinceramente não sei o que conseguiram vender à época sobre os empregos que seriam gerados, mas faltou conversar com alguém da área!

Apresentação do Itaú - Centro Tecnológico Mogi Mirim (PDF)

Vídeo 1 - Institucional do Santander

Vídeo 2 - Itaú Mogi Mirim

quinta-feira, 16 de julho de 2015

livro livro porks - o dia do totó

O Dia do Totó

Passam no Moriva (buteko clássico em Barão) para comprar umas cervas e 3 Góes, digo 3 Goes porque para não perder o costume o Julio arrumou confusão com uns cara que estavam no estabelecimento querendo comprar os mesmos últimos 3 vinhos, os outros individuos estavam de bem com a vida e não criaram muito caso com os Pork´s levando os últimos vinhos e tirando sarro da cara deles.

Foram pra casa do BJ, onde se preparariam para a festa e onde rolaria uma pré, um aquecimento para a festa, muitos estavam presentes, os Pork´s em peso, exceto pelo Lemão que tava na zoropa e o Amaral que ainda não curtia uma balada nos naipes da galera, a mulherada compareceu em peso. Rolou muito vinho, muita vodca, umas cervas e muito pó de guaraná (para manter a galera acordada).

A festa a qual esse conto se referencia é uma daquelas imperdíveis no meio universitário de Campinas e regiao organizada pelo pessoal da engenharia de alimentos da Unicamp, a festa é a conhecida e aclamada, festa do contrario.

Todos já travados prontos para ir para a balada, já eram umas onze e pouco, estava um frio de lascar, mas todos vestidos a caráter, a mulecada dava até gosto de ver, se fosse depender de virar traveco pra ganhar dinheiro, morreriam de fome. O buga não quis ir, disse que iria só no último ano e tal, coisa de boiola, mas ficou até o final do aquecimento.

O pessoal tinha acabado com tudo o que era alcoólico na casa do BJ e ainda não satisfeitos dão uma passadinha no starmart onde o Julio encontra com alguns conhecidos da medicina e os apresenta aos pork´s, tomam mais uma brejas e vão de encontro ao desconhecido.

Na fila da balada o BJ encontra a super trunfo e não perdoa embrulha nossa colega (Ana veterana) afinal ele já tinha catado ela em ocasiões muito melhores ou piores, depende do ponto de vista (sóbrio nesse caso significa pior, porque não tem desculpa.)

Ao entrar na balada só risada de ver as figuras que existem no mundo a que elas se prestam, nada como o tal do álcool... De cara pelo estado dos meninos fica fácil imaginar o que iria acontecer na festa, de tudo um pouco conforme sera apresentado abaixo.

Logo pra começar os Pork´s se espalham, algo involuntário, mas quando se esta xapado com um monte de gente em volta, você se perde com uma facilidade e uma rapidez inimaginável.... Foi so entrarem na balada e já estavam separados...

O BJ logo de cara se atraca com uma loira gorda e nanica, lucro !!! O Julio ainda não tinha se perdido do BJ, mas os dois já estavam a muitas piscadas dos demais, para não ficar pra tras o Julio embrulha a escrota da Lilica (sentiu ciúmes do BJ catar uma escrota e ele não... então se sentiu na obrigação de acompanhar o amigo).

O Paragua sabia ao certo onde estava, como chegou lá e o que deveria fazer, mas nessas horas aqui de cima agente da uma ajudada e uma luz chegou ao garoto e ele percebeu que encontrava-se numa festa e também partiu para o ataque. Tentou embrulhar algumas transeuntes, mas seu estado deplorável, não permitia e como não encontrou nenhuma mina no seu mesmo estado ou próximo a ele, resolveu inconscientemente deitar-se na grama e tirar um pequeno cochilo para relaxar, afinal estava muito cansado... o pequeno cochilo pretendido, rolou até as 5 e meia da manha quando os pork´s reunidos novamente para o retorno o encontraram.

O Bob não estava muito melhor que os outros 3 cavaleiros e para não partir corações nem morrer na praia saiu na captura e pelo que comenta-se era uma baranga daquelas que nem Deus lembra, mas para tirar a zica vale qualquer uma, e no caso especifico o bom é que sempre da pra colocar a culpa na maldita da cachaça.

A festa estava bombando de gente, mal da pra andar direito, tanto que voltaram a se encontrar as 5 horas da manha, tinham ido com o carro do Julio e estava faltando o Paragua, até que o encontram capotado na grama dormindo igual a Cinderela... O Julio e o Bj pra variar não queriam ir embora, não tinham quebrado nada nem realizado algum ato digno de ser lembrado, mas mesmo assim foram embora.

A postos, vão embora, a balada foi na Pachá uma casa noturna perto da Puc ao lado da Dom Pedro, naquela época era o Cabral Campinas. Na saída do estacionamento, umas barraquinhas e umas towers com cachorro quente e refrigerante para recompor o animo da galera, pois festa boa acontece de quinta feira e algums tem que ir trabalhar na sexta e outros raríssimos tem aula cedo e merecem uma boa refeicao pela manha depois de uma noite daquelas.

Eis que Julio avista um desses kidog, vendendo dog a um conto numa tower, palhaço do cara tava com a porra dum desses banquinhos de plástico branco baxotinhos no meio da rua, em poucos instantes Julio esta com o banquinho ao seu lado esquerdo muito perto do seu carro, não se sabe ao certo se o banquinho estava no meio da rua ou se o Julio chegou perto o suficiente da calcada para conseguir alcança-lo e num movimento mais rápido que o the flash abraça seu novo troféu e já joga pra dentro do carro.Já era !... Haviam faturado um banquinho de plástico de 50cm de altura super resistente que esta na casa do Julio até hoje, o banquinho é utilizado pela Ana (mãe do Julio) para apoiar o pé quando vai ler jornal (no qual ele aparece com a testa rasgada mas essa é uma outra historio e depois eu conto...).

Cabe aqui salientar que o cara ficou muito puto e começou a ter pit´s e gritava xingava e veja só o dialogo travado entre o cara do kidog e o Julio com a metade do corpo pra fora do corsa dirigindo e gritando.

K-dog: “FILHO DA PUTA !!!”

Julio : “UM ABRAÇO !!!”

Para os Pork´s o final de qualquer discussão no caso não houve discussao, mas o final de qualquer acontecimento acaba com essa frase, um abraço e eles não se agüentaram e foram cagando de rir embora e repetindo umas 300.000 vezes “Daí ele falou : Filho da Puta” e a resposta “ Um abraço”.

Esse conto poderia muito bem terminar por aqui se não fosse o tal do espírito pork´s de ser e essa facilidade que os cara tem em chamar a confusao pra eles e se ela não existe eles a criam...

Estavam indo numa boa em direção a Barão Geraldo, o Julio iria deixar o bj o paragua e o bob em suas respectivas casas, eis que avistam ao fundo bem ao longe no meio da avenida que liga a puc a unicamp um corsa com umas patricinhas dentro vestidas de homem (haviam com toda certeza do mundo ido a mesma festa) e como estavam muito felizes com o ultimo souvenir adquirido resolveram parar para ver se as garotas estavam precisando de algo, se estavam com algum problema e se daria pra rolar um sexo.

A primeira vista as garotas não conseguiam dar a partida no carro, todos ainda muito bêbados, porém com tudo sob controle, oferecem-se para empurrar o carro, os engenheiros acharam fácil que a bateria tinha ido pro saco e um bom tranco no carro iria resolver o problema.

Então que a Filha da Puta da patrícia que estava ao volante diz em voz bem aguda, fresca e estridente :” Não pode tem injeção eletrônica”.

Os cara não se agüentaram de ver a mina falando aquilo pro Julio que tava todo solicito querendo ajudar e cairam na gargalhada novamente. Naquele momento Julio percebe que seu sangue subira a cabeça e que ele poderia fazer algo e ele diz:” Ah, não pode empurrar né ? Tem injeção eletronica !... Ta bom então !”.

Ouve-se o runir de um gato no cambio do corsinha do Julio, era engatada a marcha ré ao perceberem o que estava prestes a acontecer o comentário geral foi que ele não vai fazer isso, mas ele da ré, faz a baliza para atrás do carro das vagabundas olha no retrovisor delas, a cara de espanto da motorista é bem visível, engata-se a primeira marcha e toto no caro das minas, as vacas começam a gritar em coro :” Pára!!! Pára!!!” com a mesma voz que deixa qualquer ser humano a beira de um ataque de nervos.. Uns 20 metros depois engata-se novamente a ré, emparelha-se com o carro das ilustres garotas e Julio abaixa o vidro olha bem para a cara da motorista e diz : “Injeção Eletrônica, né ?” .

Foram embora, o julio deixou todos em casa, estavam felizes da vida!!! Todos em suas respectivas casas com o mesmo sentimento de grandeza, o de irem dormir mais um dia com consciência tranqüila e com a sensação do dever cumprido.